by night

sábado, 26 de novembro de 2011

Terminal de embarque

Era uma viagem sem retorno! Ambos o sentiam mas, não tinham sequer falado sobre essa possibilidade. Talvez porque ignorar as possibilidades indesejadas possa parecer na vida o caminho mais fácil! O comboio chegara na hora marcada e, um beijo lento, sela a despedida. Ela ocupa o lugar à janela depois de ter pousado duas malas na parte de cima da moderna carruagem daquela composição. Através da janela, procura o olhar dele e encontra-o. Achou, porém, que não era só ela que partia. O olhar dele estava vago,  a expressão facial triste, a expressão era de incerteza. A mente dele estaria já a viajar também, ao sabor de pensamentos que procurariam explicações e previsões que dificilmente podiam ser antecipadas. Oito meses noutro país, num intenso regime de voluntariado, poderia para sempre alterar o curso daquele romance que permanecera estável nos últimos dois anos. Mas, ela sentira aquele chamamento e não conseguiu dizer que não. Em mais nenhum momento hesitara senão neste, em que separada por um vidro, vê longos momentos de paixão ficarem para trás, irremediavelmente associados ao lugar onde habitam as lembranças. Não era só ela que partia, naquele lugar, naquele momento, naquela tarde... o Amor partia também com ela naquele comboio...